Exposições e Eventos

Link Interno Metal que (se) dobra
Outubro 2014 | Janeiro 2015

Metal que (se) dobra

Uma das características mais interessantes dos metais é a sua plasticidade. A Humanidade cedo a descobriu e, à medida que foi compreendendo todas as suas potencialidades, aperfeiçoou a técnica de trabalhar e moldar os minérios, fazendo deles um elemento imprescindível da vida quotidiana. Se o ouro, a prata e o cobre eram sobretudo utilizados no fabrico de objetos litúrgicos, ou de adorno, tornando a ourivesaria um mundo reservado aos estratos mais elevados da sociedade, o ferro foi preferencialmente usado em artefactos utilitários (ferraduras, ferros de arado, esporas, armaduras, etc.). Foi na Idade Média que o uso dos metais se vulgarizou na Europa, tendo a arte do ferro forjado tido nos monges de Cister um dos principais impulsionadores. Em Portugal, já no século XII, se documentam centros de extração, nomeadamente em cidades como Guimarães, Porto, Coimbra, Lisboa, Évora ou Beja, de onde eram naturais várias famílias notáveis de ferreiros, desde 1229 agremiadas em confraria.

A centúria de Setecentos é verdadeiramente o século da ferraria artística, tendo-se divulgado os ornamentos em folha de ferro, juntamente com lindas incrustações de bronze e de latão, que tornaram mais valorizadas e de superior gosto artístico as obras dos mestres. A partir do século XIX, em Portugal como no resto da Europa, a utilização do ferro propagou-se a outros domínios, nomeadamente à arquitetura, onde se generalizaram as grades que acabaram por embelezar as varandas e sacadas dos edifícios oitocentistas. A industrialização trouxe também novas exigências a nível do projeto, da robustez e da perfeição. O artesão medieval transformou-se num técnico industrial. O trabalho ornamental ficou mais aperfeiçoado, passou a ser feito a partir de desenhos, e é caracterizado pela esquadria e pela simetria. Os novos métodos industriais trouxeram a produção em massa de ferro forjado pudlado, em varões redondos de secção constante e de novas secções, como as cantoneiras e os tês, conforme era exigido para a construção dos novos barcos em ferro.

 

                                    

Igualmente o ferro forjado, com a sua elevada resistência à tração, voltou novamente à ribalta com o apogeu da ferrovia. As práticas de construção naval na fabricação de estruturas por rebitagem conjunta de secções laminadas em ferro forjado tornaram-se vulgares na construção civil, especialmente na construção de pontes ferroviárias. As vigas de alma cheia em chapa rebitada e as treliças podiam vencer vãos superiores e suportar maiores cargas do que as estruturas em ferro fundido, como ficou tragicamente ilustrado pelo colapso da primeira Tay Bridge em 1878. A viga laminada de ferro forjado tornou-se a peça básica da construção metálica, conjugada numa estrutura dinâmica, até que se tornaram possíveis, na América, edifícios que pareciam arranhar os céus.


Voltar
 











Câmara Municipal de Santarém

procurar no site
     
Mudar fundo Fundo 1 Fundo 2

Quer receber as nossas notícias?
Registe-se

02.07 a 30.09
Exposição Bianual da Coleção de Arte Contemporânea 'Manuela de Azevedo'

Nenhum registo encontrado.