Núcleos Museológicos . Museu do Tempo

A velha Torre do Relógio - vulgarmente conhecida por Cabaceiro - é o objeto arquitetónico mais conhecido e emblemático de Santarém. A sua forma prismática, de um paralelepípedo, com uma base de 9,76 por 7,20m e altura de 26m (31,40m com a estrutura de suporte do sino) foi crescendo por sucessivos acrescentos ao longo do tempo, sempre através do mesmo processo construtivo, de aparelho de alvenaria de pedra calcária irregular e revestida a argamassa de cal e areia.

Torre das Cabaças vista de nascente. Óleo sobre madeira. João Vaz (1888) Torre das cabaças e casa do relojoeiro. Foto Alvão (c. 1928)

O seu volume áspero e monolítico eleva-se praticamente isento de fenestração até próximo do cimo, onde, finalmente, apresenta oito grandes ventanas, duas em cada face, com as vergas em semi-arco, deixando antever uma pequena parte da calote esférica que cobre o seu último piso, suportando, por sua vez, a estrutura de ferro forjado, de forma trapezoidal, que sustenta o enorme sino de bronze e oito peças cerâmicas em forma de cabaças, cuja função é provocar a ressonância do som do sino ao bater as horas.

Trempe superior da Torre das Cabaças, com sino, cabaças e cata-vento. Foto Pedro Aboim (1999) Pormenor heráldico do sino da Torre das Cabaças. Foto Pedro Aboim (1999)

O Projecto Museológico

A ideia básica do processo de musealização da Torre das Cabaças residiu na transformação da torre-relógio de Santarém de objeto inútil para objeto cultural. A Torre das Cabaças tornou-se assim uma espécie de sítio evocador da medição do Tempo, num determinado momento da história do município de Santarém: o Sítio do Relógio Mecânico. Esta transformação foi viabilizada através de um projeto comunitário: o projeto Sanveral.

A 1ª fase do projeto consistiu na organização do espaço interior da Torre em três salas, correspondentes aos pisos do edifício. Em cada piso foi implementado um período histórico da medição do tempo, a que corresponde um tema e uma frase evocativa. Assim, na primeira sala, evoca-se a pesquisa do homem acerca do tempo; a observação das aparências (os astros, o sol, a lua, o dia e a noite, os fenómenos metereológicos, etc); e a metáfora do Tempo. A esta sala chamou-se "Sala dos Pesos", sendo a sua frase evocativa da autoria de Voltaire: "O Sol é o grande relógio do mundo".

Sala dos Pesos: Observar o Tempo; Medir a sombra Pormenor arquitectónico colocado no óculo da Sala dos Pesos

Na segunda sala, chamada "Casa da Máquina", evoca-se a passagem do tempo solar ao tempo do relógio mecânico, com a pesquisa da "hora igual". Evoca-se também a íntima relação entre espaço e medida e a necessidade de uma máquina que medisse o tempo de forma artificial. Nesta sala, dominada pela máquina do relógio da Torre, marca Morez du Jura, datada de 1876, são expostos alguns exemplares de relógios mecânicos, de diversas tipologias e dimensões. A frase que representa esta sala é de Lewis Mumford: "O Relógio Mecânico é a máquina chave da moderna idade industrial, não é a máquina a vapor".

Casa da máquina: Medir o Tempo; Observar o segundo Relógio esqueleto. Inícios do séc. XIX. Foto Pedro Aboim

Finalmente, no último piso do Museu, situa-se a "Sala de Observação". A frase de Marguerite Yourcenar "O tempo esse grande escultor" lança o repto para que o visitante apreenda, do alto da torre, os traços dos muitos tempos de uma cidade trimilenar.

Sala de Observação: Corrigir o Tempo. Transmitir a hora Aspecto da cúpula da Torre com frase de Marguerite Yourcenar. Foto Nuno Moreira (2009)

No interior dos espaços museológicos é expressamente proibido:
a) Filmar e fotografar;
b) Comer e beber;
c) Fumar;
d) Introduzir animais de qualquer espécie.

(Artigo 14º do Regulamento Interno do Museu Municipal de Santarém)











Câmara Municipal de Santarém

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até 31 de dezembro
Exposição "Manuela de Azevedo"

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